O Sistema Único de Saúde (SUS) está adotando uma abordagem inovadora para enfrentar um dos problemas crescentes da sociedade moderna: o vício em jogos e apostas. Recentemente, o SUS lançou um serviço de teleatendimento em saúde mental, voltado especificamente para aquelas pessoas que enfrentam desafios relacionados a jogos e apostas. Esta iniciativa não representa apenas um avanço na forma como a saúde mental é abordada no Brasil, mas também cuida de um aspecto cada vez mais relevante da saúde pública.
Nos últimos anos, observou-se um aumento alarmante no número de pessoas que se vêem presas em atividades de jogo, especialmente em plataformas online, onde a combinação de facilidade de acesso e falta de regulamentação muitas vezes resulta em dependência. Em 2025, o SUS já registrou mais de 6.157 atendimentos presenciais relacionados a essa questão, um número ainda insuficiente diante da realidade emergente. A criação de um serviço online é uma das partidas mais promissoras para ajudar a resolver esse problema, permitindo que os usuários busquem ajuda sem a necessidade de se deslocar até uma unidade de saúde.
Atendimento online para saúde mental
O novo serviço de teleatendimento em saúde mental é uma resposta direta às necessidades da população. O Ministério da Saúde implementou essa estratégia após avaliar o crescimento de casos relativos ao uso problemático de plataformas de apostas. Essa modalidade de atendimento tem como foco não apenas pessoas que enfrentam dificuldades relacionadas a jogos, mas também seus familiares, ampliando o escopo do apoio disponível. O atendimento é destinado a indivíduos com 18 anos ou mais, criando um espaço seguro e acessível para aqueles que, muitas vezes, hesitam em buscar ajuda devido à vergonha ou estigmas sociais.
O Meu SUS Digital, aplicativo desenvolvido para esse propósito, permite aos usuários registrar-se e realizar um autoteste baseado em evidências científicas. Essa ferramenta é crucial para identificar sinais de risco e determinar qual encaminhamento é mais adequado. Nos casos onde o risco é identificado como moderado ou alto, o sistema automaticamente orienta o paciente para o teleatendimento. Para situações consideradas leves, a recomendação é procurar suporte na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Essa abordagem não só facilita o acesso ao tratamento, mas também ajuda a normalizar a conversa sobre saúde mental no Brasil.
Consultas e acompanhamento
As consultas realizadas por meio do teleatendimento têm uma estrutura bem definida. Em média, cada sessão dura 45 minutos, tempo durante o qual o profissional pode realizar uma avaliação minuciosa do problema do paciente. Esse formato confere a possibilidade de que cada paciente, após uma triagem inicial, participe de até 13 sessões, promovendo um acompanhamento contínuo e estruturado.
Essas sessões podem ser feitas de forma individual ou em grupo, incluindo familiares e demais integrantes da rede de apoio do paciente. O suporte social é um aspecto fundamental do tratamento, uma vez que estar cercado por compreensão e suporte pode fazer uma diferença significativa no processo de recuperação. A equipe multiprofissional que administer as consultas é composta por psicólogos, terapeutas ocupacionais e médicos psiquiatras, conforme necessário. Essa diversidade de profissionais garante que todas as vertentes do tratamento sejam abordadas, e o paciente possa receber cuidados abrangentes.
O teleatendimento não apenas promove a saúde mental, mas também reforça a importância do acolhimento. Quando necessário, o paciente é encaminhado para unidades de saúde que oferecem acompanhamento presencial. Essa integração é vital, especialmente em casos onde o atendimento online não é suficiente.
Acesso pelo aplicativo
O acesso ao novo serviço é facilitado pelo aplicativo Meu SUS Digital, uma verdadeira porta de entrada para o teleatendimento. Disponível de forma gratuita e fácil de usar, o aplicativo requer que o usuário faça login utilizando sua conta gov.br. Uma vez dentro, a navegação se torna intuitiva. Ao selecionar a opção “Problemas com jogos de apostas?”, o usuário é levado para o autoteste, que é o primeiro passo para o atendimento.
Após o cadastro, as informações sobre a consulta são enviadas ao paciente via WhatsApp, o que demonstra um comprometimento com a transparência e eficiência no atendimento. Além disso, é importante ressaltar que todos os dados pessoais e informações obtidas enquanto o paciente utiliza o sistema seguem a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), garantindo a privacidade e segurança dos usuários.
Crescimento das apostas e resposta do SUS
O crescimento do hábito de apostar, especialmente em plataformas digitais, tem preocupado especialistas e o governo federal. Muitos indivíduos que desenvolvem uma relação problemática com os jogos frequentemente evitam buscar ajuda devido a preconceitos e o receio de serem rotulados. Portanto, o teleatendimento representa uma forma eficaz de quebrar essas barreiras. Acordos de autoexclusão em sites de apostas e a implementação de mecanismos de monitoramento são outras medidas complementares que o governo tem adotado para lidar com essa questão.
Ampliação da rede de saúde mental
Outro aspecto digno de nota é o aumento significativo nos investimentos em saúde mental proporcionados pelo governo federal. Entre 2022 e 2025, esses recursos cresceram de R$ 1,7 bilhão para R$ 2,9 bilhões, demonstrando um compromisso sério com essa área crítica da saúde. A presença de aproximadamente 6.272 pontos de atenção, incluindo cerca de 3 mil Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), estabelece o Brasil como um dos países com a maior rede pública de saúde mental do mundo.
Entre 2023 e 2025, o SUS habilitou 653 novas unidades da Rede de Atenção Psicossocial, aumentando a cobertura nacional e garantindo que mais pessoas tenham acesso a um suporte adequado. Ademais, a incorporação de 6,2 mil novas equipes multiprofissionais em Unidades Básicas de Saúde reforça ainda mais o compromisso do SUS em atender a população de maneira integral.
SUS cria teleatendimento psicológico para vício em apostas – Jornal Atual
Essa nova iniciativa do SUS é, sem dúvida, um marco importante para a saúde pública no Brasil. Proporcionar uma forma acessível e ampla de atendimento psicológico para aqueles afetados pelo vício em jogos e apostas é uma maneira de reconhecer que a saúde mental deve ser tratada com a mesma seriedade que outras condições de saúde. Ao promover um ambiente seguro e acessível, o sistema não apenas facilita o primeiro contato dos pacientes com profissionais de saúde, mas também ajuda a normalizar o discurso sobre problemas relacionados ao vício em jogos.
É um passo fundamental para garantir que mais pessoas se sintam confortáveis em procurar ajuda e que recebam o suporte necessário para superarem seus desafios. Diante da expansão das apostas online, as iniciativas do SUS se mostram cada vez mais relevantes, e sua ação em inverter a curva de atendimentos relacionados ao vício será crucial.
Perguntas frequentes
Como posso acessar o serviço de teleatendimento psicológico do SUS?
Para acessar o serviço, você deve baixar o aplicativo Meu SUS Digital e fazer login com sua conta gov.br. Depois, siga as instruções para realizar o autoteste.
É gratuito o atendimento psicológico pelo SUS?
Sim, o atendimento oferecido por meio do teleatendimento em saúde mental é gratuito e todos os dados são protegidos pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Quem pode utilizar o serviço de teleatendimento?
O serviço é destinado a adultos com 18 anos ou mais que enfrentam problemas relacionados a jogos e apostas, além de seus familiares.
Quantas sessões posso fazer com o profissional de saúde?
Cada paciente pode participar de um ciclo estruturado de até 13 sessões, dependendo da gravidade do caso e da necessidade de acompanhamento.
O que acontece se meu caso for considerado leve?
Se o autoteste indicar que seu caso é leve, o aplicativo recomendará que você busque atendimento na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
Os profissionais que atendem são qualificados?
Sim, o atendimento psicológico é realizado por uma equipe multiprofissional, incluindo psicólogos e terapeutas ocupacionais, com suporte de médicos psiquiatras conforme necessário.
Conclusão
O lançamento do teleatendimento psicológico do SUS para tratar o vício em apostas é uma resposta prática e eficaz a um problema crescente na sociedade atual. Verificar como esse serviço pode impactar positivamente a vida das pessoas é um sinal esperançoso de que a saúde mental está finalmente recebendo a atenção que merece. Com a ampliação do acesso e do apoio, o SUS se posiciona na vanguarda da saúde pública, promovendo bem-estar e qualidade de vida a todos os cidadãos. Ao enfrentar esse desafio com inovação e empatia, é possível transformar a realidade de muitas pessoas que precisam de ajuda, garantindo que elas possam encontrar o caminho de volta à saúde e ao equilíbrio emocional.

Editora do blog ‘Meu SUS Digital’ é apaixonada por saúde pública e tecnologia, dedicada a fornecer conteúdo relevante e informativo sobre como a digitalização está transformando o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil.


