A saúde é um direito fundamental de todo cidadão, e o acesso a produtos essenciais, como absorventes menstruais, é uma questão de dignidade e bem-estar para milhões de mulheres e meninas no Brasil. Recentemente, o Ministério da Saúde deu um passo importante nesse sentido: Anunciou que as Unidades Básicas de Saúde (UBS) poderão emitir autorizações para a retirada de absorventes do Programa Dignidade Menstrual. Essa novidade não só amplia a acessibilidade, como também mobiliza uma mudança significativa na forma como a saúde menstrual é tratada no país. Abaixo, exploraremos detalhadamente essa iniciativa e suas implicações.
Saúde facilita acesso a absorventes e UBSs passam a emitir autorizações
A inclusão social e a promoção da saúde menstrual são essenciais para garantir a dignidade das mulheres. Com a nova medida do programa Dignidade Menstrual, as UBSs em todo o Brasil agora têm a capacidade de emitir autorizações para a retirada gratuita de absorventes. Antes da implementação dessa mudança, o processo era restrito ao aplicativo Meu SUS Digital, que, embora útil, apresentava barreiras para muitas pessoas que não possuem acesso à tecnologia ou enfrentam dificuldades em navegá-la.
Ao liberar essa funcionalidade para todas as UBSs, o Ministério da Saúde não só democratiza o acesso, mas também reconhece a diversidade das situações vividas por muitas mulheres, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade social. Essa inovação soube responder a uma demanda antiga e urgente, já que estima-se que cerca de 26% das mulheres em idade menstrual enfrente dificuldades para acessar produtos de higiene menstrual.
Os profissionais de saúde que atuam nas UBSs, incluindo Agentes Comunitários de Saúde (ACS), agora têm a responsabilidade e a capacidade de emitir as autorizações necessárias, promovendo um atendimento mais amplo e humanizado. Essa mudança transforma a questão da saúde menstrual de uma prática vulnerável e solitária em uma questão de saúde pública, lembrando que o ciclo menstrual é uma parte natural da biologia feminina e não deve ser cercado de tabus ou desinformações.
Como emitir a autorização
A simplicidade e a acessibilidade do novo processo são dignas de destaque. As beneficiárias do programa podem se dirigir a qualquer Unidade Básica de Saúde e solicitar a impressão da autorização de forma rápida e descomplicada. Isso não só elimina a necessidade de um aplicativo que pode não ser acessível a todos, mas também humaniza o atendimento, colocando as mulheres em contato direto com profissionais de saúde que podem ajudá-las não apenas na emissão da autorização, mas também em questões relacionadas à saúde menstrual.
Além disso, quem prefere o uso digital ainda poderá utilizar o aplicativo Meu SUS Digital para emitir a autorização. Basta buscar pela opção “Programa Dignidade Menstrual” e clicar em “Emitir autorização”. O documento gerado é válido por até 180 dias, permitindo que as mulheres planejem melhor sua aquisição de absorventes, com uma logística mais flexível.
Cada beneficiária tem direito a 40 unidades de absorventes a cada 56 dias, ou seja, durante dois ciclos menstruais. Para retirar os absorventes, a mulher deve apresentar um documento de identificação oficial com foto e CPF, além da autorização emitida, seja em formato digital ou impresso. Essa lógica de distribuição não só assegura uma melhor organização, mas também combate o desperdício, evitando a retirada excessiva de produtos que não serão utilizados.
Sobre o programa
O Programa Dignidade Menstrual, criado pelo Governo Federal, vai além da simples distribuição de absorventes; ele busca promover uma conscientização sobre questões relacionadas ao ciclo menstrual, educando a população sobre sua naturalidade e importância. Desde sua implementação, em 2024, o programa já beneficiou mais de 2,5 milhões de pessoas, com a distribuição de mais de 376 milhões de absorventes menstruais.
Esse programa é um marco na saúde pública, especialmente para mulheres entre 10 e 49 anos que se encontram em situações de vulnerabilidade econômica. As diretrizes do programa são claras: ele é voltado para pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) que têm renda mensal de até R$ 218, assim como para estudantes de baixa renda da rede pública e indivíduos em situação de rua.
A estrutura do programa também envolve atividades de formação para agentes de saúde, visando a capacitação dessas figuras essenciais na promoção de uma saúde menstrual mais inclusiva e informada. As estratégia de educação e esclarecimento são fundamentais, dado que muitos ainda enfrentam desinformações sobre saúde menstrual, um tema que carece de mais espaço nas discussões de saúde pública.
Impacto social e cultural do programa
A saúde menstrual vai além do aspecto físico; ela toca também questões socioculturais. O tabu que ainda existe em torno da menstruação impede que muitas mulheres e meninas se sintam confortáveis em discutir suas necessidades e preocupações. A adoção de programas como o Dignidade Menstrual é, portanto, uma tentativa de desmistificar essas questões e oferecer um ambiente seguro e acolhedor para conversas francas sobre saúde.
Adicionalmente, ao incluir adolescentes entre 12 e 16 anos como beneficiárias do programa, sem a necessidade do acompanhamento de pais ou responsáveis, o Ministério da Saúde está demonstrando um compromisso com a autonomia e a dignidade das jovens. Essa mudança empodera as adolescentes, permitindo que elas busquem recursos essenciais para sua saúde sem o medo de julgamento ou constrangimento.
Por fim, a expansão desse programa pode ter efeitos cascading. Ao possibilitar que mais mulheres tenham acesso a produtos de higiene menstrual, reduz-se a taxa de faltas escolares e de produtividade no trabalho, garantindo que todas tenham a chance de manter sua rotina diária, mesmo durante o ciclo menstrual.
Perguntas frequentes
Como faço para emitir a autorização para retirar absorventes?
Basta ir a qualquer Unidade Básica de Saúde e solicitar a impressão da autorização aos profissionais de saúde, ou utilizar o aplicativo Meu SUS Digital, se preferir.
Qual o prazo de validade da autorização emitida?
A autorização é válida por 180 dias.
Quantas unidades de absorventes posso retirar?
Cada beneficiária tem direito a 40 unidades a cada 56 dias, correspondendo a dois ciclos menstruais.
Preciso de acompanhamento dos meus responsáveis para retirar os absorventes?
Não, adolescentes entre 12 e 16 anos podem retirar os absorventes sozinhas.
Quem é elegível para o Programa Dignidade Menstrual?
O programa se destina a pessoas entre 10 e 49 anos que estão inscritas no CadÚnico e têm renda mensal de até R$ 218, ou estudantes de baixa renda da rede pública, ou pessoas em situação de rua.
Como isso ajuda a combater a desinformação sobre saúde menstrual?
Por meio da educação e formação de agentes públicos, o programa busca esclarecer mitos e aumentar a consciência sobre a saúde menstrual.
Conclusão
A iniciativa do Ministério da Saúde de permitir que as Unidades Básicas de Saúde emitam autorizações para a retirada de absorventes é um passo histórico para a promoção da saúde e da dignidade menstruais. O acesso facilitado a equipamentos essenciais como absorventes não apenas melhora a qualidade de vida de milhões de mulheres e garotas, mas também derruba barreiras e tabus que cercam o tema da menstruação. Ao garantir que todas as mulheres tenham acesso a esses produtos essenciais, o Brasil dá um importante passo em direção à equidade e à saúde pública, mostrando que o cuidado com a saúde menstrual é, de fato, uma prioridade.
Com isso, a saúde é, finalmente, tratada como um direito universal, e cada vez mais mulheres poderão afirmar que têm a dignidade e as condições necessárias para viver plenamente e com saúde durante todos os dias de suas vidas.

Editora do blog ‘Meu SUS Digital’ é apaixonada por saúde pública e tecnologia, dedicada a fornecer conteúdo relevante e informativo sobre como a digitalização está transformando o Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil.
