Debatedores sugerem adequação de proposta sobre prontuário eletrônico à Lei Geral de Proteção de Dados


Os sistemas de saúde modernos enfrentam desafios significativos na proteção e no uso adequado dos dados dos cidadãos. A proposta do cartão de identificação do usuário do Sistema Único de Saúde (SUS), contida no Projeto de Lei 5875/13, tem gerado intensos debates sobre como garantir que essas informações sejam utilizadas de forma ética e segura. Recentemente, o superintendente de Regulação da Autoridade Nacional de Proteção de Dados, Lucas de Carvalho, destacou a necessidade de adequar essa proposta às diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Nesse contexto, tornaram-se essenciais as discussões sobre a privacidade e a segurança dos dados de saúde.

Com a crescente digitalização e interconexão dos serviços de saúde, a integridade dos dados e a proteção das informações pessoais estão em evidência. Neste artigo, abordaremos as implicações do Projeto de Lei 5875/13, a importância da interoperabilidade entre sistemas de saúde e as preocupações que especialistas e interessados têm manifestado quanto à proteção dos dados.

Debatedores sugerem adequação de proposta sobre prontuário eletrônico à Lei Geral de Proteção de Dados

Em uma audiência recente na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, Lucas de Carvalho apresentou pontos críticos sobre a necessidade de garantir que o projeto sobre o cartão SUS esteja em conformidade com a LGPD. Os dados de saúde são considerados dados sensíveis segundo a legislação, e sua manipulação requer um cuidado especial. Carvalho ressaltou que a proposta já contempla alguns direitos dos titulares dos dados, mas a LGPD oferece uma proteção mais abrangente.


Os especialistas argumentam que, para o funcionamento adequado da proposta, é fundamental que os cidadãos tenham a capacidade de autorizar explicitamente o uso de seus dados. Essa autorização deve ser clara e precisa, especialmente na situação em que se trata de dados sensíveis, que vão além de simples informações pessoais, como medicinas e diagnósticos.

A importância da segurança e prevenção de fraudes

Outro ponto relevante discutido foi a segurança dos sistemas. Diversos debatedores expressaram sua preocupação com a possibilidade de vazamentos de dados e fraudes. Giovanni Cerri, presidente do Instituto Coalizão Saúde, destacou que atualmente, muitos pacientes acabam atuando como “integradores de sistemas”, levando exames e informações de um local para outro, dada a dificuldade dos sistemas conversarem entre si. Isso não somente é inconveniente, mas também pode resultar em erros e na exposição desnecessária de dados.

O prontuário eletrônico, que será desenvolvido a partir desse projeto, promete melhorar essa situação. A Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) poderá facilitar o acesso às informações dos pacientes em todo o Brasil. A proposta é que, ao se acessar um sistema de saúde, as informações desejadas estejam disponíveis de forma rápida e eficaz, aumentando a qualidade do atendimento.

Evolução das políticas públicas e da gestão na saúde


A secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad, afirmou que o acesso a esses dados não só trará benefícios individuais, mas também ajudará na elaboração de políticas públicas. Com a implementação do prontuário eletrônico e a interoperabilidade dos sistemas de saúde, espera-se que os dados clínicos possam ser acessados em qualquer parte do país, garantindo que todos recebam um atendimento contínuo e de qualidade.

Ana Estela também mencionou que a RNDS passou de 892 milhões de registros em 2023 para impressionantes 4,6 bilhões, sendo que 1 bilhão é oriundo do setor privado. Essa quantidade considerável de dados demonstrou a necessidade e o potencial de um sistema eficaz. Além disso, ela conscientizou os cidadãos de que poderão monitorar quem acessa suas informações e solicitar correções, enfatizando a transparência.

Contribuições e sugestões para o projeto

A deputada Adriana Ventura, relatora do projeto, incentivou todos os interessados a sugerirem alterações até o final do mês, a fim de facilitar a redação de um novo relatório para votação na comissão. Esse é um convite para que a sociedade civil e os profissionais de saúde se envolvam no processo legislativo e contribuam para a criação de um sistema que atenda às necessidades tanto dos cidadãos quanto dos profissionais de saúde.

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Diante desse debate, surgem algumas perguntas frequentes que merecem ser respondidas para garantir uma maior clareza sobre o tema.

Perguntas Frequentes

Quais são os aspectos principais do Projeto de Lei 5875/13?
O projeto visa criar um cartão de identificação do SUS que centraliza as informações de saúde dos cidadãos, permitindo acesso pelos profissionais de saúde de forma integrada.

Como a LGPD se relaciona com o projeto do cartão SUS?
A LGPD estabelece diretrizes rigorosas sobre a coleta, o uso e o compartilhamento de dados pessoais, incluindo os dados de saúde, exigindo consentimento e medidas de proteção.

O que a população pode fazer para garantir sua privacidade?
Os cidadãos devem estar cientes de seus direitos, inclusive o de autorizar o compartilhamento de seus dados e monitorar quem os acessa.

A interoperabilidade é realmente uma vantagem?
Sim, a interoperabilidade entre diferentes sistemas de saúde deve facilitar o acesso a dados de forma mais eficiente, melhorando o atendimento e reduzindo erros.

Quais são as preocupações levantadas na audiência sobre segurança de dados?
Foram mencionados riscos de vazamentos de dados e fraudes, o que pede por soluções robustas de segurança nos sistemas.

Como será garantido o consentimento do cidadão para o uso de seus dados?
O projeto deve apresentar mecanismos claros que garantam que o cidadão possa decidir como e quando seus dados serão usados, especialmente para informações sensíveis.

Com a continuidade dos debates e a incorporação de sugestões, espera-se que a proposta do cartão SUS e a criação de um prontuário eletrônico estejam mais alinhadas com os direitos dos cidadãos, oferecendo melhor segurança e eficiência nos cuidados com a saúde.

Concluindo, a adequação do Projeto de Lei 5875/13 à Lei Geral de Proteção de Dados é essencial para garantir que o prontuário eletrônico opere de maneira eficaz e respeitando a privacidade dos cidadãos. As discussões envolvendo o tema estão apenas começando e, por isso, a participação da sociedade é fundamental para assegurar que as diretrizes propostas realmente atendam às necessidades reais da população, promovendo um sistema de saúde mais seguro, justo e acessível a todos. Com a evolução das tecnologias e o aumento do volume de dados em saúde, a transparência e a proteção devem ser os pilares em que se funda essa nova era da saúde digital.